Instituto Pandavas

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Projetos - Cultural

Raízes da Mantiqueira

O Instituto Pandavas concluiu com seus alunos o projeto “Raízes da Mantiqueira: Cultura, Memória e Identidade do Município de Monteiro Lobato, SP”.  Foram meses de entrevistas com alguns de nossos sábios, ouvindo histórias fantásticas de nossa cidade. O intuito do projeto é que o jovem aprenda sobre a cultura e raízes de sua cidade formando uma ponte com a população idosa, aproximando gerações e ampliando o universo de ambos. Também não queremos que "causos", receitas , brincadeiras e costumes tão valiosos se percam de nossa memória!

 

Seguem algumas das entrevistas realizadas :


 

ENTREVISTA COM DONA NILZA SENE


Nasceu em 1945, hoje com 63 anos, no dia entrevista, ainda trabalhava como vice-diretora da Escola Estadual Maria Ferreira Sonnewend. Nasceu no bairro dos Souzas, onde morou por muito tempo e nos disse que a casa de sua bisavó era onde é hoje o bar do Seu Dito.
Perguntamos sobre como era o trabalho naquele tempo e ela nos respondeu que era mais rural e que aqui se plantava muito, milho, arroz, feijão, café, mandioca, etc. Falou que essa cidade era grande produtora da café e por esse motivo havia os beneficiadores desses produtos. Nesse momento perguntamos como era isso, e ela prontamente explicou que após a colheita, espalhava o café no quintal para secar e depois eram levados para a maquina que retirava as cascas do grão. Disse que havia uma fecularia na Rua Bernardino de Campos que produzia fubá e farinha de milho e que também se beneficiava arroz, isto é, tirava as cascas.
Contou-nos também que o povo da roça comia muita carne de porco e de galinha. A carne de porco era conservada na própria gordura, num processo de tempero e fritura que conservava por muito tempo. Algumas pessoas ainda usam esse processo, pois a carne se conserva e é muito saborosa.
Quanto à vida na cidade, contou-nos que no comercio ainda se realizava muita troca de mercadoria e que o transporte era feito em lombo de burro.
Quanto à educação, disse que cada bairro tinha a sua escola e no Souzas ela funcionava no salão paroquial.
Falando a respeito da saúde, havia um posto de puericultura, onde hoje é a casa da Fátima do Chico Costa e o médico Dr. João Auricchio fez atendimentos por mais ou menos 50 anos. A população recebia remédios para verminose anualmente. Também o farmacêutico Luiz Paulo Laray receitava cápsulas e purgantes, que hoje seria uma desintoxicação.
Quando perguntamos da vida social, ficou animada e falou que eram muitas e muito animadas, principalmente as festas juninas, com fogueira, quentão e quadrilha na praça de baixo. Na festa de São Sebastião tinha a “cavalhada”, um rei que ficava escondido e todos os cavalheiros, com seus cavalos enfeitados, saiam à procura do rei. Num certo lugar ficava uma argolinha pendurada, e os cavalheiros jogavam uma varinha e quem conseguisse derrubar a argola seria o novo rei e ai todos fazia a maior festança para o novo rei.
Perguntamos como era a política e ela nos contou da existência de dois grupos que disputavam o poder, eram adversários ferrenhos, que não podia nem haver namoro entre pessoas desses grupos. Os grupos eram: Rastoio, do Nê Sonnewend e Sabugada, do Caetaninho Manzi. Neste momento ela aproveitou para aconselhar os alunos que existe o tempo certo para o namoro.
Falou do futebol e do campeonato que havia entre os bairros, com muita animação e festa depois dos jogos. Participou da fundação do Independente Futebol Clube e foi ela que assinou toda a papelada para tornar um órgão oficial.
Quanto às tradições da cidade, lembrou-se da Recomenda das Almas, que ocorria na Semana Santa. Eram dois grupos, um do Serafim e outro do João Pedro. Eles iam de casa em casa, as pessoas já deixavam o café preparado para recebê-los, onde eles rezavam, mas os donos das casas não podiam aparecer e nas ruas os dois grupos não podiam se encontrar. Porque, não conseguimos entender.
Nesse momento tivemos que nos despedir, pois ela deveria voltar ao trabalho, já que ela nos recebeu em seu local de trabalho. Porem, ela se colocou a nossa disposição para mais conversa, que ela tem ainda muitas histórias... obrigada Dona Nilza!

 


ENTREVISTA COM SENHOR RICARDINO


Seu Ricardino nasceu em Passa Quatro no dia 22 de Setembro de 1926. Quando veio para Monteiro Lobado, morou primeiramente no Bairro de São Benedito trabalhando com armazém onde vendia cereais, como feijão, arroz, farinha, sal e outros, como a famosa pinga. Contou que veio sozinho e que só mais tarde trouxe os filhos, que ficaram hospedados na casa do Seu Artur, para estudar.
Conta que o bairro na época tinha bem menos pessoas que hoje, mas que já havia escola. Lembrou também que o bairro era muito pobre e sem recursos. Quando perguntamos como era o transporte na época, respondeu que era somente a cavalo, a pé ou de caminhão leiteiro.
Perguntamos sobre como era a saúde naquele tempo, disse que tudo era muito difícil, que havia um posto de saúde, mas para serem atendidas as pessoas tinham que chegar muito cedo. Vinha um medico uma vez por semana, das 7 ás 10 horas da manha. Havia umas pessoas que davam remédios caseiros, entre eles o Seu Sansão da Pedra Branca e a mãe do Rocege, dono da emissora de radio de Monteiro Lobato. Quando encontramos com o Rocege, ele disse haver um engano e que essa Senhora era a Dono Lurdes Magalhães, sua tia. Precisamos confirmar essas informações.
Contou que uma vez ele foi picado por uma cobra e que sua mãe o curou dando-lhes querosene com alho.
Depois vendeu o seu comercio do Bairro de São Benedito e comprou um comercio, onde hoje é a marcenaria e a loja de peças de automóveis. Depois passou onde hoje é a sua residência, tendo bar, restaurante e pensão. Contou-nos que quando o Primo iniciou as obras de construção do Centro Pedagógico Casa dos Pandavas, hoje Instituto Pandavas, ele se hospedava em sua pensão, que muitas vezes bateram longos papos.
Comentou que não tem estudos, e o pouco que tem, fazia um percurso de 6 km a pé. Contou que não havia merenda e que o lanche que tinha para levar era rapadura que comia com água e que na parte da tarde, quando estava em casa, ia trabalhar na roça. Hoje, para ele a escola é uma mordomia, com transporte e merenda. Mesmo assim vê com tristeza, como os alunos não aproveitam as oportunidades que tem e ficam pelas ruas, matando aula, tomando bebida alcoólica e até fumando drogas.
Lembrou também que o primeiro telefone publico instalado em Monteiro Lobato foi à sua pensão, que se chamava Pensão Nossa Senhora Aparecida, era numero 39791193 e que permanece ate hoje. Contou que sua avó dizia que no final do mundo iria aparecer um cipó que falava, e hoje nem precisa do cipó. E que quando seu avô viu pela primeira vez um avião, ela se enrolou debaixo dos cobertores, de tanto medo.
Seguindo a conversa, ele se lembrou que sua esposa, Dona Maria, já falecida, promovia quermesse para pagar a 1ª torre de transmissão de televisão em UHF, instalada na cidade.
Contou-nos também que onde hoje é o sindicato, havia uma cadeia ainda de madeira e que gente famosa da cidade chegou a ser detida nela.
Quanto à política, disse que era muito disputada, e que os comícios eram realizados ao mesmo tempo e que isso provocava muita briga.

 

 

 


ENTREVISTA COM O SR. LUIZ MAGALHÃES

 

O Sr. Luiz Magalhães, morador da Vargem Alegre, mais conhecido como Luizinho, nos recebeu gentilmente em sua casa e nos brindou com muitas estórias interessantes sobre o passado de Monteiro Lobato.
Começou falando da estrada que passava bem em frente de sua casa, no mesmo nível da varanda. Ou seja, a estrada de hoje passa bem acima. Foi feito um aterro enorme por todo aquele trecho, vindo desde a Vila Esperança até próximo do Silvio Santos. Se você notar, verá ainda resquícios do asfalto antigo bem em frente à casa dele. Era comum, portanto, grandes enchentes naquela época, interditando por completo a estrada. Mas Luiz não se importava muito pois era uma chance de ganhar um dinheiro extra: Ele oferecia ajuda para atravessar os carros atolados ou que ficavam parados do outro lado e cobrava uns Cz$ 10,00. Usava seu Jipe 59 para isto. Os que não aceitavam e tentavam atravessar sozinhos, normalmente não conseguiam e aí pediam ajuda. Só que a cobrança era dobrada: Cz$ 20,00.
A Vargem Alegre naquela época era ponto de parada de tropeiros. Vinham vários de Minas, principalmente. Ali tinha bicicletaria, mercearia, olaria, sapataria, uma escolinha, carvoaria e às vezes, vinha um ventríloquo, tio do Luiz, um tal de S. Agenor, que divertia a molecada e também os adultos. Aliás, a Vargem Alegre atraía mais pessoas naquela época do que o próprio centro de ML. Talvez aí a origem do nome.
Saía um caminhão para fazer compras em São Paulo mais ou menos uma vez por mês. Trazia coisas pro pessoal todo. A energia elétrica não era da Companhia de luz como é hoje. Tinha aqui um gerador mas a luz era muito fraca. Luiz Lembra também de um rádio, enorme, quase um metro de altura. Era a atração. As pessoas se reuniam em volta prá ouvir notícias e novelas. Refrigerante e cerveja, a gente tomava era sem gelo mesmo..
Tinha muita caça naquela época. Reunia gente prá caçar veado. Juntava mais de 30 cachorros. Hoje, ao contrário do que muita gente pensa, tem mata nestes morros. Aquele ali da frente era completamente “pelado” e veja só como está hoje (veja foto).
Tinha uma rixa muito forte entre os dois principais clubes da cidade: a Associação esportiva e o Independente Futebol Clube. E os dois ficavam ali, na praça de cima. Quem era de um clube não podia freqüentar o outro, nem entrar. Quando tinha jogo entre os dois a coisa era feia .
Outra coisa que a gente nem acredita nos dias de hoje eram aquelas excursões para Aparecida. Saía um caminhão daqui bem cedinho, caminhão mesmo, aberto dos lados e com lona em cima. Saía cheio de gente numa viagem que durava o dia todo. O caminhão parava demais. Era um tal de ir ao banheiro, banheiro, quer dizer, o mato. Às vezes tinha que andar um pouco prá achar lugar bom. E demorava, demorava! Levavam feixes de lenha amarrado na rabeira do caminhão e quando chegavam lá servia para fazer comida no fogão a lenha. Levavam também panela, comida e monte de coisas. Chegando lá, todo mundo dormia num galpão enorme, homem e mulher, um galpão sujo que dava gosto! À noite, a gente saía prá ver as atrações. Lembro de uma tal mulher-aranha, que botava medo em muita gente. Tudo enrolação. Voltava no dia seguinte, depois de visitar a Basílica e ir à missa. Voltavam mortos de cansaço, mas valia a pena. Era uma aventura. Imagina um caminhão destes hoje, cheio de gente, na Dutra.
Outra coisa curiosa era quando morria alguém lá na Matinada. O pessoal de lá trazia o defunto a pé, numa correria, de lá até aqui, numa espécie de maca feita com bambu. Aí eles paravam ali na curva perto do posto do Luiz, descia o caixão ali e se preparavam para o cortejo até o cemitério. Depois espalharam que aquela curva era mal assombrada, que ali apareciam os fantasmas dos que tinham parado ali. O povo inventa! Mas é interessante! Por falar em assombração, durante muito tempo, se acreditava que tinha fantasma na plantação de milho aqui na várzea. O pessoal tinha medo. Sabe o que era? Eram aqueles sacos com palha de feijão que o pessoal colocava para espantar os pássaros e que à noite parecia gente! Após esta viagem ao passado, Luiz serviu aos alunos as deliciosas cocadas feitas por sua esposa, Luiza. Ao casal, nossos agradecimentos!

 

 


ENTREVISTA COM Sr ARISTEU

 

Em conversa formal na residência do S.Aristeu, hoje com 83 anos, este antigo morador conta sobre sua origem e histórias do Bairro do Souza.
Filho de Dona Maria Paulina Conceição, uma imigrante italiana e de Sr João Antônio Dias, um Índio Guarani de uma das duas aldeias da região ainda existentes no início do século passado, nasce pelas mãos de uma velha índia parteira sendo batizado por ARISTEU DOS SANTOS no ano de 1926.
Saudoso,lembra que seu pai era da tribo Guarani (grupo familiar de aproximadamente 20 pessoas) que contava com duas grandes ocas erguidas onde hoje estão os sítios do Sr Vasconcellos e Nelson na curva da Estrada do Caracol e, mais adiante, próximo do Paulo Costela, tinha outra aldeia com mais índios – ainda se pode encontrar vestígios deste último grupo lá perto da nascente, afirma Aristeu – lembra que todos os Guaranis aqui da região foram enganados por uma oferta do governo durante a guerra da Revolução Paulista de 1932, a proposta oferecia grandes áreas de terras férteis lá no Mato Grosso. Entusiasmados, todos os índios abandonaram suas moradias e partiram a pé para lá, porém nenhum chegou vivo ao destino, pois foram morrendo de febre amarela pelo caminho.
Após a morte de seus pais foi adotado pelo terceiro casal a ocupar as terras do Souza, João Moreira e Virgulina Moreira imigrantes de Bananal na época da Revolução Paulista da qual Sr Aristeu foi convocado mas, por sorte, dispensado na última hora quando foi selado o acordo de Paz.
O primeiro morador destas terras foi o tal de Zé de Souza (daí o nome do bairro), quando ele veio pra cá era tudo mata.
O segundo foi João Nunes que construiu lá onde hoje tem o canil. Ele que trouxe a imagem da Santa Rita de Cássia que ficava numa igrejinha redonda feita com telha de bica e tijolo de adobe, a porta era virada para o casarão (Bar do Márcio), ajudou ainda a fundar a primeira escolinha do bairro, mas Sr Aristeu nunca chegou a freqüentá-la e nem qualquer outra, apesar disso afirma: No meu tempo fazia um Jota e um risco e tava escrito João Francisco. Leio toda a Bíblia, mas não leio um jornal.

SABEDORIA – Conheço muito das coisas da terra, pois busco a tecnologia na natureza e consigo encontrar água a mais de 30 metros de profundidade com varinha de amoreira ou, melhor ainda, com uma de goiabeira. Também conheço remédio bom como cipó, erva doce e outro com cheiro de cravo que limpa tudo. Assim sempre foi, observo cada detalhe no mato para viver melhor.

BAIRRO DO SOUZA – No meu tempo de menino, isso aqui era cheio de bicho: capivara, porco-do-mato e era tanto que podia matar veado ou paca com a foice porque eles cruzavam as ruas sempre. Tinha muito peixe bom: piapara, campineiro, e muita traíra ali no lago onde hoje é um charco na entrada do loteamento Sombra e Água fresca, e tinha muita água, tanta que na época das chuvas eu jogava o jacá no rego d’água e ele enchia de bagre. Já a madeira da boa era Guaritá “Parecia que tinha areia dentro dela e a serra soltava fogo na hora de cortar, dava mourão de cem anos na terra”.
No bairro tinha umas 16 casas e umas 400 pessoas (contando com os moradores espalhados por esses morros) e a única com telha de barro era o bar do Zé Monteiro (hoje bar do Dito). Tinha também cinco moinhos de farinha espalhados aqui no centro e um poço de curtir milho para depois fazer a farinha torrada em forno de ferro. Teve uma época que por esse Faria afora tava pipocado de forno-de-carvão, o que acabou com as matas e sumiu com os bichos. Plantação de milho e de arroz, bem como criação de porco era muita e quase tudo era enviado por tropa de burro, da qual fui madrinheiro* com orgulho por bom tempo, para ser vendido no Mercadão da então Buquira Grande ( Monteiro Lobato), que por sinal era melhor do que o de São J. dos Campos, e o que sobrava era enviado em carro de boi com roda de pau para o mercado de Caçapava por uma estrada na margem esquerda do rio Buquira.
Essa igreja grande foi construída por Joaquim Martiniano mais ou menos em 1935 e o coreto foi feito bem depois, na administração do então prefeito Dito Motta. Havia duas festas por ano: uma era a que ainda tem hoje em homenagem a Santa Rita, e a outra era uma festa para Nossa Senhora que não tem mais. Nestas festas tinha corrida de cavalo com lança na argola, era muita alegria

MONTEIRO LOBATO – O mercadão era lá na praça de cima e tinha pátio pras tropa descansar, a praça de baixo não existia e o único acesso para a cidade era uma ponte de pau sobre o rio ali onde hoje tem a oficina mecânica, e os dois mercadinhos. O Sítio do Pica pau amarelo se chamava Fazenda do Visconde e era propriedade de um Visconde italiano que morreu por aqui mesmo.

FRASE – “Pé de fruta, eu quebro a virgindade com prego 17x21 nas três raízes primordiais e 1Kg de feijão plantado em volta, em um ano ela começa a produzir, se não, pode me chamar de safado.”

*Chefe da tropa

Entrevista feita com o profº Edevaldo e a aluna Pétala

 

 

 

ENTREVISTA COM SR. TINO CORRÁ

 

Nascido em Monteiro Lobato no bairro da Matinada. O parto foi feito em casa, por uma senhora parteira.
Os oito irmãos nasceram da mesma forma, na época não se freqüentava hospitais, nem médicos, toda cura era feita através de ervas e chás. Hoje Sr. Tino tem alguns problemas de saúde, se consultou com vários médicos de São José dos Campos mas como ele próprio diz : “Acho que os médicos de hoje são meio preguiçosos pra cuidar da gente”...
Sua alimentação é simples, arroz, feijão e alguma carne de criação, diz não confiar em carne de supermercado ou de açougue por não saber da procedência. Já chegou a comprar certa vez setenta porcos junto com um amigo para criar.
Foi casado por sessenta anos, sua esposa faleceu recentemente. Sempre gostou de trabalhar, nunca teve atividades de lazer, não freqüentava bailes.Desde os dez anos de idade tira leite, na época levava para vender em cargueiro, carro de boi para o centro da cidade.
A principal atividade de hoje é fazer o carvão entre outras tarefas do dia.
O carvão que Sr. Tino prepara leva três dias para ficar pronto, e ele não queima, como todo mundo pensa, ele cozinha, “ Sabemos o ponto certo pela cor da fumaça, ela começa branquinha, quando ainda tá perdendo água, mas no final vai ficando azul, aí tá na hora de abrir o forno”.
Sempre gostou de lidar com máquinas, “É coisa de italiano, que sempre foi dado à indústria”, diz. Todos levavam máquina para ele consertar, ajudou a fazer o primeiro filtro da caixa d’água do bairro.
Sabe ler, mas escreve muito pouco, na época em que deveria estar na escola, trabalhou. Às vezes levava o “ABCD” para o trabalho na roça e de vez em quando tirava do bolso e dava uma olhada...” Deu pra aprender um pouquinho”. Conta que certa vez passou constrangimento ao não conseguir preencher uma ficha em consultório médico, que dizia: “Não é possível, como pode saber ler e não saber escrever?”.
Seu pai comprou um Ford “bigode”, na época era raro um carro por aqui, este carro foi apelidado de Ford bigode por ter dois bigodinhos ao lado do volante, um deles é o “avanço” e o outro o freio de mão.
Outra novidade que trouxe para cá foi o gerador de energia, que construiu junto com Sr. Chico Dias. “O gerador ainda funciona”, garante ele.
Sobre histórias curiosas, Sr. Tino fala com firmeza: “Não acredito em assombração, não posso acreditar no que nunca vi” e conta que certa vez avistou ao longe duas luzes que pareciam olhos de fogo, e por várias noites observou esta mesma luz, no mesmo lugar, ficou muito curioso e resolveu ir até o lugar, à luz do dia. Depois descobriu o que era: antigamente, quando não havia energia elétrica, as pessoas usavam lamparinas de óleo, e esta lamparina tinha dois furos na lateral, que ao longe pareciam dois olhos de fogo.
“Outra vez, estava de noite em casa com minha esposa e ouvi uma barulheira danada no quintal, mas um barulho esquisito que não parava, pensamos: desta vez deve ser o capeta, uma coisa muito feia mesmo...
Não, é que quando matava porco antigamente, se descartava o torresmo, ninguém comia, deixamos o torresmo dentro de um bule esmaltado, não foi que um cachorro enfiou a cabeça lá e não conseguia tirar, mas o bicho pulava pra cá e pra lá, deitava no chão, levantava, caía de novo, fazendo uma bagunça, um barulho!
“Nem em alma eu acredito, se tiver, vai logo pro céu, aqui não fica não, se não a gente via...”
Sr. Tino acha que a pior droga que existe é a bebida, o álcool, pois todo mundo começa viciando nela, depois vai para outras drogas,... “ E ninguém fala na marvada, que ta fácil por aí, todo mundo compra...”
Diz que nunca se envolveu com política, que nunca nem precisou”, aqui na roça a gente vive a nossa vida sem depender muito do governo”, fala que a maior mudança que aconteceu na cidade foi Quando o “orfanato” do Pandavas veio prá cá, que movimentou tudo, até a estrada foi feita mais por causa da escola.

Entrevista feita pela Profª Diana com os alunos Frediano, Matheus e Filipe

 


ENTREVISTA COM O SR NICO (Antonio Aparecido Corrá)

 

Nascido em Paraisópolis, de descendência italiana,
Sr. Nico chegou à Monteiro Lobato aos 7 meses de idade. Seus pais, Cecílio Corrá e Ana Maria Paschotti, eram plantadores de arroz e também trabalhavam com gado leiteiro. Naquela época, relata o Sr. Nico, a vida era muito difícil. Viviam em casas de pau-a-pique, sem saneamento básico ou eletricidade. Não tinham acesso à saúde, a única farmácia ficava em Monteiro, e o bairro do Souzas contava com um curandeiro, o Sr. José Coutinho, que resolvia a maioria dos problemas de saúde da população.
O Sr. Nico estudou na escolinha do Souza, que funcionava no salão paroquial da igreja. Na adolescência tinha muitas amizades que cultiva até hoje, e se encontravam na praça ou nos forrós, onde ele tocava o pandeiro. Outras opções de lazer eram jogar futebol e se reunir no armazém do Souza.
O Sr. Nico também conta que a cidade foi primeiro chamada de Freguesia das Estacas, depois passou a Buquira Grande e então Monteiro Lobato. Rota de tropeiros que seguiam para Minas Gerais em busca de ouro, era parada obrigatória dos viajantes, entre eles, grupos de ciganos, chamados de “Garvinos”.
Casou-se em 1958 com Dona Helena Aparecida, filha de Dona Maria José e Sr. Samuel Mota, , sua companheira até hoje e tiveram 9 filhos e 19 netos. Trabalhou na Usina elétrica no bairro dos Souzas, onde limpava as canaletas, mas foi na prefeitura onde trabalhou por mais tempo, 35 anos. Por muitas vezes não recebeu salário, e o pagamento era feito através de vales nos comércios locais, e por anos não teve direito a férias. Chegou a passar 6 meses sem receber, contando com a ajuda de familiares e amigos da comunidade para poder sobreviver.
Vive hoje com sua esposa no bairro do Souzas, e relembrou com carinho parte de sua história.

Entrevista realizada pela professora Vanessa e os alunos Gilberto, Débora e Ademir.

 

 


ENTREVISTA COM S. ZÉ QUINTINO

 

Nasceu em Lagoinha, no ano de 1927, morou em Redenção da Serra. Por volta de 1932 foi para Paraibuna e em 1940 veio para a atual Monteiro Lobato, próximo onde hoje é o Ito Rennó. Para essas andanças usou o “salvo-conduta”, juntamente com seu avô, por causa da Revolução de 1932.
Conta que nessa época aqui era uma “fartura”. Da fazenda do Banco, indo prá São Benedito, por exemplo, chegava a sair cinco caminhões de sacas de arroz.
Havia muito trabalho de tropas, entre elas, a tropa do Servino Ribeiro*, que transportava milho, feijão, lenha, e outros de uma cidade para outra, movimentando o comercio.
Não havia energia elétrica, somente as que eram geradas pelas turbinas, como a de S. Tino Corra. Conta que nessa época se produzia muito na roça, enquanto que na cidade só comprava óleo, sal e açúcar.
Do trabalho braçal, prestado aos fazendeiros, se recebia em média 10 “tões” por semana. Suficientes para viver, sem luxo e com muita humildade.
Quando às festas, ficou um tanto saudoso, e disse que duravam uns três dias, com muita comida, catira, dança de São Gonçalo, moçambique, cantoria, etc.
Hoje, para ele o povo do mato acabou. Como dizia seu avô: “um dia o mundo vai ser cortado de estrada, trançado de fio e cercado de arame farpado”. Quando ouvia isso não entendia muito, hoje acha que avô tinha razão.
Um grande amigo de S. Zé Quintino, foi Otávio Frias que, segundo ele, vinha a cavalo, apeava, ou de jipe, parava, descia e conversava horas. Numa dessas conversas disse que “o povo ia se ajuntar na cidade, não ia se agüentar e depois ia voltar pro mato”. Parece que eu já estou vendo isso acontecer, nesta época ele devia ter uns trinta anos.
Voltando à conversa a seu respeito, conta que foi desafiado a aprender fazer jacá. Quando estava passando por uma dificuldade, com a morte de seu pai, pediu emprestado um par de jacás para a lida da roça. Quando ainda estava usando, o dono pediu de volta. Pensou, nunca mais vou pedir jacá emprestado, vou fazer o meu próprio. A partir daí, faz jacás para dar, vender, usar e até para expor culturalmente.
Quanto à saúde, dividiu em três tempos:
Quando moleque, havia o “curador”, que receitava as doses dos remédios, entre estes a beladona, o sabugueiro, etc. Quando jovem era o farmacêutico que resolvia tudo e passava os remédios, aqui em Buquira, era o Laray, gente boa.
Hoje, segundo S. Zé Quintino, virou essa “narquia” de médico.
Quanto aos estudos, cursou mais ou menos até a 3ª serie, porém, com a sabedoria natural, trabalhou, criou os filhos e até hoje, planta e colhe milho, arroz, feijão, rama (mandioca) e inclusive já plantou a “safrinha”, milho que dá mais rápido (105) dias, enquanto que o de setembro, só dá com 120 dias.
Assim, encerramos a conversa de hoje, porque o S. Zé Quintino disse que ainda não terminou, precisamos voltar mais uma vez ou mais!
*Foi uma surpresa saber que o S. Zé Quintino teve contato com meu avô!!
Realizada pela Profª. Eugênia e os alunos Amanda e Pedro do 7º ano

 

 

Entrevista D. NEUSA



D. Neusa nasceu em 1946 aqui no bairro do Souza mesmo, no então distrito de Buquira Grande, onde sempre morou. Casou-se em 1964 com o S. Irineu com quem viveu por quase 30 anos. Após a perda do marido em 1994, viria a sofrer outro duro golpe com o trágico acidente que levou seu filho, o Zezinho (o famoso Berrante) em 1999. Apesar disso, é uma mulher forte, simples e de bom humor. Encontrou forças e um grande companheiro na figura do S. Edmundo, com quem vive até hoje. Gentilmente, ela nos recebeu em sua casa para uma entrevista, resumida a seguir:

“Naquele tempo, prá gente ir rápido prá Monteiro, só mesmo com o caminhão do leite, Prá voltar, geralmente era a pé mesmo. O ruim era que quando tinha que ir a uma festa com uma roupa melhor, chegava-se com a roupa respingada de leite. o moço mexia no latão e respingava no vestido da gente. Mas fazer o quê? Prá ir na cabine, tinha que deixar reservado uns dias antes... Não tinha outro jeito. Quando era semana santa, a gente ia até São José, ia de caminhão mesmo, que o povo aí alugava.
Antes, a entrada do Souza não era ali onde hoje é o Silvio Santos. Ela seguia um pouco o rio e era mais baixa. Quando alagava, era difícil chegar. Até cavalo tinha problema.
Não tinha muita diversão como tem hoje. Não tinha luz elétrica e nem televisão. A gente usava uma lamparina feita com querosene e pavio de pano. Ficava ouvindo rádio ou ia dormir. Meu pai contava estórias mas a gente cochilava, depois do dia duro de trabalho. Os brinquedos eram feitos em casa mesmo. Minha mãe fazia as bonecas de pano. Os meninos faziam uns carrinhos de madeira parecido com estes de rolimã,mas as rodas eram de madeira mesmo.
Na escola, de primeiro, as turmas eram misturadas ali na escolinha do Souza. Era o 1º ano junto com o 2º e o 3º. Ás vezes, o aluno mais esperto acabava ajudando os de outras séries. Tinha professor, dizem, que castigava aluno botando prá ajoelhar no milho. Mas o castigo mais comum que eu vi mesmo era ficar em pé olhando prá parede.
Nas festas de Santa Rita tinha muito mais gente do que tem hoje. Tinha muito leilão. Tinha leilão prá tudo. De gado, porco, comida, pato, doce, bolo. E tinha também aquelas disputas prá ver quem podia mais*. De vez em quando, um encasquetava com outro e disputava quem pagava mais pela prenda!
Lembro de uma estória de uma menina que caiu da ponte e foi levada pelas águas. Desapareceu no rio e foi embora lá prá baixo pro lado do seu Miro, mais ou menos. Mais tarde, quando foram procurar , encontraram a menina em cima de uma pedra no meio do rio, sã e salva. Quando perguntaram prá menina como ele foi parar ali, ela disse que uma senhora tinha colocado em cima da pedra. Ninguém viu esta mulher. Até hoje não se sabe que senhora foi esta. O povo pensa que foi Nossa Senhora que a salvou pois tudo foi muito rápido
Entrevista feita pelo Profº Nilton e os alunos Márcio, Bruna e Bete
*Ouvindo a este respeito, o S. João Dias acrescentou o seguinte: “Tinha a tal disputa pela mamadeira. Ninguém queria ficar com ela. Era assim: alguém pagava para outro ficar com a mamadeira e mamar, às vezes era até um desafeto da pessoa ou alguém que você queria tirar sarro. Era uma mamadeira grande, de bico vermelho, prá chamar atenção mesmo.Se você não aceitasse a mamadeira, tinha que pagar mais para devolver pro sujeito que te enviou ... e assim ia... tinha dia na festa que a mamadeira tava custando uma fortuna!”

 

 

ENTREVISA COM S. ALCIDES RODRIGUES

 

Nasceu no município de Sapucaí Mirim, em fevereiro de 1929, hoje com 80 anos.
Veio para Buquira, no bairro de São Benedito em 1941. Dois anos depois perdeu a mãe, ficando com o pai e mais seis irmãos. Começamos a conversa perguntando como era a saúde naquela época. Disse que não havia vacina e que o bairro São Benedito era muito pobre, com alguns casebres e uma capelinha. Acompanhou a construção da nova capela, que existe até hoje e conheceu os artistas que pintaram a capela, Antonio Limones e Miguel Limones.
O transporte, fora o cavalo, era de caminhão leiteiro e quem quisesse viajar na cabine, tinha que reservar com antecedência. Havia também uma linha de ônibus que fazia o trecho entre Paraisópolis e São José dos Campos, como passava pelo bairro de São Benedito, o povo usava bastante.
Quanto à cidade, tudo era de terra, não havia calçamento. A praça de cima era chamada de Largo do Mercado, pois onde hoje é o salão da prefeitura, ao lado do S. Ricardino, era o mercado, muito movimentado na época, comércio onde se encontrava óleo, açúcar, sal, arroz, feijão, muita cachaça, era o famoso “Secos e Molhados”. No Largo do Mercado havia três pés de cedro, até por volta de 1953.
A energia elétrica chegou à cidade em 1955, com o trabalho do Prefeito Caetano Manzi.
Em 1948, houve um plebiscito para passar o Distrito de Paz de Buquira Grande para município de Monteiro Lobato, campanha em que se empenharam André Caetano de Vita, Alexandre de Campos Freire e outros, fato que obtiverem sucesso. O pai de S. Alcides foi vereador no mandato de Caetano Manzi.
S. Alcides, sempre religioso e devoto, muito ajudou nas missas, em latim, celebradas pelo pároco Cônego Manzi. Nesse momento da entrevista, a aluna Ana Flavia perguntou se havia preconceito quanto aos negros e se eram separados na Igreja. S. Alcides respondeu que o preconceito sempre houve, mas que não havia separação como se comenta hoje.
Continuando, a aluna perguntou como ele viu a ditadura. Como vereador que foi na época, sentiu as dificuldades da repressão. Foi nesse tempo, que para fazer uma media com o governo federal, mudaram o nome da praça de cima, de Cunha Bueno para Marechal Humberto Castelo Branco. Tempos depois, a câmara municipal voltou novamente para Cunha Bueno, fato que o deixa mais feliz.
Na seqüência, Ana Flavia perguntou sobre o que era o aforamento. S. Alcides explicou que era uma espécie de imposto ou aluguel pelo uso das propriedades pertencentes à Igreja. Com o passar do tempo a mitra (diocese) vendeu ou doou essas propriedades e hoje não existe mais.
Quanto à economia da época, era a agropecuária bastante forte. O leite era enviado de caminhão para a Cooperativa em São José dos Campos ou para a Vigor em Jacareí, que eram usinas de beneficiamento do leite e produção de derivados como queijo e manteiga, principalmente. A agricultura era intensa, embora fosse de subsistência, como o plantio de arroz, feijão, milho, rama e o café que era muito forte a produção. Disse, indo a São Jose, dá para perceber os sinais das antigas plantações na Água Soca. Lembrou que o Sr. Ângelo Auricchio foi um grande fazendeiro.
Perguntamos sobre historias de ciganos, ao que ele respondeu que apareciam de vez em quando, negociavam cavalos e eram muito espertos. Sobre historias de assombração e casos da cidade, disse que não conhece muita coisa. Recorda de uma forte contenda entre o vereador Zé Barreto e o PE Heitor, por causa de uma cerca que vereador encostou junto à Igreja, fechando a rua lateral.
Lembrou também de que foi o S. Chico Dias quem doou o terreno para a escola Pandavas.
Em 1951, foi criado o Centro de Saúde, com médico vindo uma vez por semana e em 1962 chegou a 1ª ambulância em Monteiro Lobato.
O farmacêutico que resolvia tudo era Luiz Paulo Laray e seu sucessor foi Josué Leopoldino, que também foi prefeito da cidade, mais ou menos nos anos 60. Falou também da Fazenda Buquirinha, com 1500 alqueires, foi do avô de Monteiro Lobato, o Visconde de Tremembé.
S. Alcides conta que leu alguns livros de Monteiro Lobato, entre eles, “A barca de Greire” onde ele cita um comício realizado no bairro do Souza, quando foi candidato a vereador no município.
Com essas informações encerramos nossa entrevista. S. Alcides ficou muito feliz de nos ter recebido e elogiou, com toda a sua educação, o nosso trabalho e afirmou ter aprendido muito com os alunos, em especial a Ana Flavia, que admirou a inteligência.

Realizada pela Profª Eugênia e os alunos Ana Flávia, Jonas e Iago do 7º Ano

 

 


ENTREVISTA COM D. NOEMIA MONTEIRO SENE

 


D. Noemia nasceu em Monteiro Lobato, no dia 13 de setembro de 1927, filha de Benedito Monteiro do Prado, que também foi prefeito dessa cidade.
A conversa teve inicio com a D. Noemia falando de como tudo era muito diferente de hoje, em relação à sua infância e juventude. Segundo ela, na praça de baixo havia um cruzeiro no lugar do famoso “pinicão”. No lugar, onde hoje estão os supermercados, havia pequenos comércios e a escola, onde ela freqüentava, e que não havia calçamento em nenhum lugar, tudo era terra e nunca se ouvia falar em enchente e nosso lugar, nesta época, se chamava Buquira Grande.
Lembrou-se, com um pouco de saudade, de que aqui foi uma terra de muita fartura, com produção de arroz, feijão, café, milho, mandioca que serviam para o consumo e para o comercio, realizado por caminhões. Falando em transporte, relembra que as pessoas usavam uma jardineira, que vinha de São José dos Campos. Entre um bairro e outro o transporte era a cavalo e às vezes charrete.
Na juventude morou no bairro dos Souzas e, após o casamento, veio morar no centro da cidade, trabalhar com comercio. Segundo D. Noemia, o Sr. Souzas, seu bisavô, foi o quem doou terras às pessoas carentes, formando assim este bairro.
Perguntamos sobre a saúde naquele tempo, e ela nos disse que morria muita gente por falta de tratamento, pois havia apenas duas farmácias na cidade, a do S. Laray, onde hoje é o Paiol (do Leandro) e a do S. Zé Nogueira.
Quando perguntamos sobre festas, disse que havia muita festança, duravam uns três dias, com muita gente passeando e festando, era a festa do Divino, do Santo Padroeiro e de Nossa Senhora de (todos os títulos). O povo era muito devoto, as procissões eram realizadas em duas filas. Na época não havia muito evangélico. Nas festas não havia brigas.
Disse que a Vila de São Sebastião era realmente conhecida como Alto do Piolho, talvez porque na época, era um bairro muito simples, e que foi o seu Pai, Benedito Monteiro, com ajuda e esforço do Pe. Heitor, que mudaram o nome para Vila de São Sebastião, pois já havia uma capelinha erguida em louvor a esse santo.
Lembrou-se de que o Comendador Freire foi seu bisavô e lutou na Guerra do Paraguai.
Procuramos saber sobre brincadeiras e lendas. Ela nos contou que no tempo da Semana Santa, no dia do Judas, seu pai escrevia uma carta na qual constava com quem ficaria as partes do Judas, como roupa, sapato, braço, perna, cabeça e até o coração.
Quanto às lendas daquele tempo, disse que uma cobra chegou a mamar em uma mulher de sua família, quando esta estava amamentando seu filho novinho. Também conheceu uma boa benzedeira, D. Cipriana, que também receitava chás. Como as mulheres davam à luz em casa, conheceu uma parteira famosa, D. Senhorinha Monteiro.
Lembrou-se também que vinham muitos circos para a cidade, o que era uma festa.
Como já era um tanto tarde, encerramos a entrevista, agradecendo a paciência, a boa vontade e a alegria de nos ter recebido, e ela nos ofereceu um gostoso suco com bolo, como em seu tempo.
Realizada pela Prof. Eugênia e os alunos Lucas e Leonardo do 8º Ano e Raphael do 7º Ano
 

Fotos (Clique na foto para ampliar)

  • Durante 2ª guerra , o Salvo-Conduto era documento necessário para ir e vir
  • Bairro do Souzas, circa 1960
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