Proposta Pedagógica

O aprender/ensinar como ato dialógico entre educador/educando/conhecimento

“Não existe tensão entre “tradicional” e “inovador”. A inovação é sempre construída na tradição. Nada acontece no vazio. E não é um projeto que opera a mudança. A mudança decorre de uma predisposição pessoal e coletiva. É processo, sempre inconcluso. Quase sempre, não é o projeto que não se ajusta à nossa realidade, somos nós que os tornamos inviáveis.”(Diálogos com a Escola da Ponte – Fátima e José Pacheco)

Entendemos que a inteligência não se baseia apenas em habilidades lingüísticas e racionais. A assimilação do conhecimento se dá através do que é vivenciado de forma ampla, envolvendo o sujeito por inteiro, através dos seus mecanismos físicos, motores, perceptivos e emocionais. Entendemos que a aprendizagem deve ser ativa e envolvente para que faça sentido para o aprendiz. Educador e educando devem ser parceiros na busca do conhecimento e este deve se apresentar como um universo a ser desvendado, numa aventura compartilhada através de relações significativas, amorosas e dialógicas entre educador, educando e conhecimento.

Através de estudos permanentes da pedagogia clássica e das pesquisas mais atuais em educação, estamos sempre buscando alternativas que possam melhorar a qualidade do ensino para os nossos estudantes. Embora jamais abandonemos aquelas teorias que se mostram eficientes na prática, sejam elas de linha antroposófica, no que se refere às artes e à concepção de ser humano, sejam as pesquisas atuais na teoria das Inteligências Múltiplas, de Howard Gardner ou as descobertas recentes da neurociências, atualmente estamos voltados para a implantação de um modelo mais democrático, inspirados pelo Projeto Ancora e Escola da Ponte. Entendemos que democracia é uma concepção política que tem como base um conjunto de direitos que todos devem respeitar e que incluem o compartilhamento do poder. Por isso, todos os assuntos que envolvem a convivência e a organização do espaço escolar são discutidos e decididos em Assembleias. Desta forma são definidos os deveres e responsabilidades de cada um, de acordo com suas funções.

Capacitação do Corpo Docente

Ensinamos mais o que somos do que aquilo que sabemos
Damos atenção especial para a formação dos profissionais que lidam diretamente com as crianças. Para isso contamos com reuniões pedagógicas semanais com todo o grupo ou parte dele, onde planejamos, discutimos problemas surgidos no dia-a-dia da sala de aula e temas de interesse geral que visam a reflexão, o aprofundamento teórico ou a ampliação dos horizontes do professor como pessoa, pois acreditamos que só quem tem verdadeiro prazer pelo conhecimento pode compartilhá-lo com outros. Sempre que possível ou necessário, o corpo docente, ou parte dele, participa de palestras e cursos em São José dos Campos, São Paulo, na secretaria de Educação de Monteiro Lobato e outras localidades. Mantemos contato com profissionais de diferentes áreas (pedagogia, psicologia, música, artes plásticas, filosofia, psicopedagogia etc.), que são convidados a dar cursos, palestras e oficinas, para os professores e/ou alunos.

Coordenação Pedagógica

Os educadores têm encontros semanais, propondo-se a uma coordenação colegiada. Esses encontros visam à discussão de temas que são abordados nos diferentes conteúdos, estudos teóricos, trocas de experiências e sugestões de atividades entre os professores de todas as áreas, além do planejamento dos estudos e atividades complementares.

Praticando a COOPERAÇÃO e o trabalho voluntário

No trabalho diário, damos ênfase ao diálogo como forma de resolução de conflitos. A responsabilização e as consequências pelo não cumprimento dos combinados é decidida após roda de conversa com o grupo envolvido, ou através das Assembleias, quando a escola toda é atingida. Em algumas situações os familiares são convidados a participar. Adotamos a cooperação no lugar da competição. Evitamos qualquer atitude que possa gerar o sentimento de exclusão. Todos os estudantes e educadores são responsáveis pela limpeza e conservação da escola. Os adolescentes têm uma escala mensal para limpeza dos banheiros, para lavar a louça do lanche e cuidar do refeitório. A manutenção da escola e do terreno é feita através de mutirões com pais, mães, estudantes, educadores e amigos. Um grupo de pais e mães é responsável pela preparação diária da merenda escolar.

Cultura de Paz

Reflexão, resolução de conflitos, autoconhecimento e diálogo
Nosso objetivo maior é criar uma postura não violenta dentro do ambiente da escola entre educadores, estudantes, funcionários e familiares, para que estes reflitam e modifiquem seu comportamento no dia-a-dia, nas suas relações com o outro e com o meio ambiente, tornando-se multiplicadores dessas atitudes.
A Cultura de Paz no Centro Pedagógico Casa dos Pandavas é tratada como tema transversal, perpassando todas as disciplinas. Trabalhamos de forma cooperativa em todas as áreas, não adotando premiações ou qualquer tipo de valorização que possa diminuir o outro.

Aulas de música, artes e educação física são preferencialmente utilizadas como ferramentas para a aceitação das diferenças, abolição de preconceitos e estímulo para que cada um possa mostrar suas ideias, talentos e opiniões expressando-se livremente.
Na rotina diária os alunos serão incentivados a cooperar com os colegas e com a escola, ocupando-se de trabalhos como servir o lanche, limpeza e conservação dos móveis e ambientes, cuidar dos jardins ( inclusive os do bairro ) e hortas.
Os conflitos do dia a dia entre estudantes, educadores, coordenadores e funcionários são material essencial para praticarmos o diálogo. Quando um deles surge é tratado como prioridade, dedicando-se tempo e espaço para resolvê-lo.
Semanalmente temos assembleias com a presença de estudantese educadores, onde são discutidos assuntos relativos ao dia a dia da escola, buscando soluções cooperativas para seu melhor funcionamento e resolvendo situações conflitivas que afetam a todos, desde pequenos problemas de convivência até situações pedagógicas. Desta forma estabelecemos nosso Código de Convivência.

A formação/orientação é feita através de reuniões semanais com todo o corpo docente, onde discutimos as questões de sala de aula buscando as melhores soluções para os problemas, ouvindo alunos e familiares quando sozinhos não conseguimos chegar a bom termo. O hábito de falar ao outro o que gostamos e o que nos desagrada em suas atitudes de forma não-violenta é cultivado entre os educadores, o que os habilita para fazer o mesmo com os educandos.
Utilizamos textos e vídeos para fundamentação e apoio dos temas estudados: Leonardo Boff, Rudolf Steiner, Mahatma Gandhi, Dalai Lama, Frei Beto, Martin Luther King,Krishnamurti, Tagore, José Pacheco, Paulo Freire, entre outros, além de textos de Ética e Valores.

Escola e Família: Parceria indispensável

O Centro Pedagógico Casa dos Pandavas não exclui a família do Processo Pedagógico, ao contrário, tem nela importante parceira, seja pedagógica ou materialmente falando. Os encontros com os familiares são ordinariamente mensais. Além disso, sempre que possível, temos reuniões especiais direcionadas à faixa etária dos filhos, onde discutimos temas diretamente relacionados com os problemas que estão vivendo e com os projetos que estão sendo desenvolvidos, como é feito, por exemplo, com a fase de alfabetização ou na passagem da infância para a adolescência. Em todas as reuniões fazemos uma dinâmica onde os pais e mães vivenciam algumas atividades que são desenvolvidas em sala de aula por seus filhos, voltando a ser crianças e descobrindo o prazer de aprender. Realizamos também reuniões com a presença dos filhos adolescentes, em forma de assembleia, objetivando desenvolver o diálogo e a compreensão entre pais, mães e filhos.

Em ocasiões especiais promovemos palestras com especialistas em diferentes áreas nas quais os familiares têm possibilidade de receber orientação sobre assuntos que os afligem ou simplesmente ampliem seus conhecimentos. Desta forma temos conseguido uma compreensão muito grande do trabalho pedagógico desenvolvido, uma grande participação nas reuniões e o apoio e confiança necessários para o bom desenvolvimento da nossa tarefa educativa. De acordo com os projetos desenvolvidos, alguns pais e mães são convidados para vir à escola apresentar seu trabalho e experiência aos alunos, ou os alunos fazem visita ao seu local de trabalho, onde aprendem  “in loco” (ex. apiário, viveiro, horta, atelier de cerâmica, etc.).Em todas as festividades e a participação dos alunos e suas famílias é fundamental
As famílias contribuem para a manutenção da Escola doando materiais necessários e participando de mutirões de trabalho. Uma equipe de pais e mães é responsável pela preparação da merenda escolar, diariamente. A partir de 2009 passamos a receber contribuições em dinheiro para ajudar na manutenção. Em 2015 houve necessidade de estabelecer uma mensalidade. As famílias de baixa renda recebem bolsa integral ou parcial, de acordo com cada caso particular.

Atividades Complementares

Desenvolvendo a autoestima através da descoberta de talentos e preparação para o trabalho
A adolescência é um momento do desenvolvimento pouco compreendido nas nossas escolas, muitas vezes refletido no termo “aborrecência”. Nossos adolescentes recebem uma atenção especial, através da possibilidade em reconhecer e demonstrar seus talentos, despertar confiança nas próprias capacidades e desenvolver a autoestima. Não posso amar o próximo se eu mesmo não me sinto amado. Sentir-se útil e ver reconhecido seu esforço dá dignidadeao jovem e lhe permite acreditar no ser humano. Com estes propósitos oferecemos atividades bastante variadas, inspirados em Pestalozzi que afirmava que a educação deveria abranger atividades da cabeça, do coração e das mãos, que englobariam as três grandes forças criativas do ser humano: o pensar, o sentir e o agir, na concepção de Rudolf Steiner. Visto sob o olhar de Howard Gardner como Inteligências Múltiplas.

Assim, são oferecidas matérias em caráter opcional, com o intuito de permitir ao adolescente perceber suas tendências vocacionais, descobrir talentos ou simplesmente aperfeiçoar habilidades. Sabemos que todo trabalho artístico ou manual facilita a criação de novos esquemas mentais, permitindo a abertura e a busca para soluções novas e criativas, favorecendo desta forma o desenvolvimento do raciocínio lógico e da confiança. Estas oficinas acontecem no contra turno, de acordo com a necessidade dos alunos e da oferta de oficineiros. Algumas delas: Marcenaria, Violão, Tecelagem, Yoga, Dança, Xadrez, Coral, Flauta Doce, Desenho Artístico, Circo, Vivências Ambientais, Culinária, Horta Orgânica, Reciclagem de Papel e Papel Artesanal, Dança Circular, Danças Folclóricas, Costura, Fotografia, Cerâmica, Artesanato…

Cuidando da nossa casa: o planeta Terra

Consideramos como Meio Ambiente o ser humano e todo seu entorno. Assim a ecologia passa pelo cuidar de si, do outro e do planeta. Trabalhamos efetivamente com o conceito dos 5 Rs: Refletir, Recusar, Reduzir, Reaproveitar e Reciclar, através de projetos e atividades práticas permanentes, como a oficina de papel reciclado e artesanal, as trilhas, o museu de história natural e reaproveitamento de materiais descartáveis como tetrapak, pneus, vidros e outros e o cultivo de Horta Orgânica. Promovemos a reflexão sobre hábitos de consumo, realizando feiras de troca e incentivando o consumo consciente.

Em Educação Ambiental, a idéia básica é a de que “só amamos aquilo que conhecemos”. Acreditamos que o amor ao Planeta e a preocupação com a sua preservação não se desenvolve através de grandes decretos ou com discursos românticos louvando a natureza, mas colocando-se a “mão na massa” (no caso, na terra!), colocando a semente no solo, vendo-a brotar, saboreando seu fruto ou perfume, percebendo o desgaste sofrido pelo solo depois de anos de mau uso, aprendendo a manipulá-lo e recebendo como resposta plantas saudáveis e um ambiente agradável. Nas Trilhas pela Mata Preservada da Escola aprendemos a reconhecer espécies da fauna e flora nativas da Mata Atlântica; espécies de árvores pioneiras; dispersores de sementes e a importância da mata ciliar para a produção e conservação dos recursos hídricos, além do impacto causado pela ocupação humana desordenada e inconsciente.

A diversidade é nossa maior riqueza.
O respeito, nosso maior legado.

Ainda no espírito de celebrar a diversidade, criamos as Olimpíadas do CPCP, buscando uma forma prática para aprendermos a respeitar todos os povos e etnias como uma única família: a Humana; habitantes de uma mesma casa: o planeta Terra. Partimos do princípio de que estudando um povo como sendo o seu, aprendemos a valorizar as diferenças culturais, os traços étnicos; conhecendo e compreendendo os hábitos mais estranhos, com certeza respeitaremos mais os outros povos.

Cada criança representa um país de sua escolha. Durante um mês ela faz pesquisas sobre este país, dentro do seu nível de aprendizado e nas diferentes matérias.  Aprendem danças e músicas de vários países; são contados alguns mitos gregos; conhecem a história das Olimpíadas gregas; assistem vídeos de Jogos Olímpicos, enquanto treinam algumas modalidades olímpicas; fazem mapas e pesquisa sobre o país escolhido; observam fotos dos países e de seus povos, destacando as diferenças de traços e hábitos, que vão do esquimó, com o corpo totalmente coberto de peles, ao menino de Samoa, nadando nu, numa praia tropical.

No dia da Olimpíada é feita uma marcha de todos os alunos com suas bandeiras até a quadra, acompanhados pela fanfarra. Na quadra, em formação, aguardam a chegada da tocha Olímpica, que é trazida pelos alunos do último ano, faz-se o juramento do atleta e iniciam-se as provas. Durante as provas os mais velhos orientam e acompanham os menores. Vencer, aqui, significa vencer a si mesmo, as suas limitações, o seu medo de participar e se expor. Dá-se ênfase para que cada aluno conheça suas marcas nas diferentes modalidades e busque superá-las, não importando as marcas atingidas pelos colegas. No final do dia,  todos recebem um louro pela participação, sem haver destaque para os vencedores, pois o importante é participar. As crianças pequenas entregam o louro para os maiores e estes para os pequenos. Apresentamos músicas e danças de várias tradições numa verdadeira celebração das diversidades culturais. Num clima de respeito e amor pelo ser humano é possível acreditarmos na paz…

Desenvolvendo a capacidade de se expor em público e experimentar diferentes papeis

Todas as turmas apresentam pelo menos uma peça de teatro durante o ano. Quando representamos um personagem, as vestimentas, a maquiagem ou máscara, escondem a verdadeira personalidade que está por trás, reduzindo o medo de se expor. Há ainda o desafio de decorar um texto e fazer bem o seu papel. A escolha dos papeis é feita cooperativamente, através do estudo do texto e identificação de cada um com um personagem. Para atender a todos muitas vezes os textos são recriados, surgindo assim os 6 Porquinhos ou os 12 anões. Os mais tímidos, numa primeira vez, podem ajudar na montagem do cenário ou na sonoplastia. Com o tempo, vendo os colegas e percebendo como é gostoso e divertido participar, começam a ousar mais, arriscando-se em pequenos papeis. Os educadores, por sua vez, também se apresentam como atores, representando uma peça na semana da criança.

“A principal meta da educação é criar homens que sejam capazes de fazer coisas novas, não simplesmente repetir o que outras gerações já fizeram. Homens que sejam criadores, inventores, descobridores. A segunda meta da educação é formar mentes que estejam em condições de criticar, verificar e não aceitar tudo que a elas se propõe” Jean Piaget